A primeira igreja de Nossa Senhora da Vitória foi construída por volta de 1539 pelo bispo D. Fr. Marcos de Lisboa. Esta igreja quinhentista foi erguida no local da antiga Judiaria Nova, e por isso alguns historiadores dizem que foi para simbolizar a vitória da religião cristã sobre a judaica. A actual igreja paroquial foi construída entre 1756 e 1766, para substituir a anterior. A sua construção foi feita com dinheiro do bispo D. Fr António de Sousa e com as esmolas dos fiéis.
Construída em estilo clássico com influências jesuítas, esta igreja setecentista apresenta uma fachada simples toda em cantaria, um portal com colunas coríntias, onde se encontra apoiado um frontão circular aberto, com o brasão dos Sousa e Arronches (família a que pertencia o bispo que a construiu); no centro da parte superior podemos vere um grande janelão gradeado, ladeado por dois nichos sem imagens, encimados por frontões. Remata a frontaria um frontão triangular, em cujo tímpano, no centro, figura um sol, alusivo, à Virgem padroeira. A torre, situada entre a nave e a capela-mor, tem base quadrada e termina numa cúpula piramidal de pedra e ornada com fogaréus nos cantos. A nave, revestida de estuque, é coberta por uma abóbada de tijolo, apoiada em vários arcos; as quatro capelas laterais têm retábulos de talha rococó, idêntica à que reveste o arco cruzeiro, os púlpitos e duas grandes sanefas. No altar de Nossa Senhora da Vitória existe uma bela imagem da Virgem, em madeira, esculpida por Soares dos Reis (à qual a confraria mandou cortar a face, guardada actualmente no cartório paroquial, pois pensam que não é “convenientemente religiosa”, substituindo-a por outra feita por um santeiro). A capela-mor, de silharia e tecto de estuque, tem um retábulo de talha rococó, do século XVIII.
Do tesouro desta igreja destaca-se um pálio de lhama de prata, com as armas, bordadas, do bispo D. Fr. António de Sousa, e alguns bons móveis do século XVIII.